Defesa em Prol da Inclusão dos Deficientes em Nippes

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Minha longa jornada para me tornar Coordenador da Rede de Apoio a Organizações para Reforçar a Democracia (REGARD) em Nippes, Haiti começa com minha experiência pessoal como deficiente. 

Tenho um braço atrofiado e durante toda a minha vida fui estigmatizado e discriminado. Ao crescer, em vez de ser chamado pelo meu nome, as pessoas com frequência se referiam a mim como “Ti ponyèt!” (“bracinho”) ou “Kokobe!” (“aleijado”). Alguns diziam isso simplesmente sem má intenção, outros diziam com malícia. Às vezes as pessoas eram paternalistas comigo:  quando eu jogava futebol, por exemplo, o time adversário me tratava com deferência até eu mostrar o que realmente podia fazer. Quando adulto, as pessoas às vezes seguravam o microfone para eu falar, embora eu fosse perfeitamente capaz de fazer isso. 

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Apesar disso tudo eu adorava a escola e ia muito bem nos estudos. Quando terminei a faculdade de direito, tendo presenciado e sofrido as dificuldades das pessoas incapacitadas, decidi criar um projeto para defender os direitos dos deficientes. O Haiti tem muito poucos desses programas. O propósito era conscientizar os habitantes de Nippes a respeito dos direitos dos deficientes como cidadãos no sentido pleno da palavra.

Hoje o Projeto Defesa em Prol da Inclusão dos Deficientes, parte da rede de programas REGARD, tem o apoio de uma doação da Fundação Interamericana, entre outros. Graças a esse financiamento treinamos 40 Educadores de Colegas, organizamos quatro fóruns comunitários, educamos mais de 200 beneficiários e transmitimos 11 programas de rádio. A iniciativa atual do projeto, em colaboração com o Escritório de Identificação Nacional do Haiti, é ajudar os beneficiários a obterem a carteira nacional de identidade.

Nos seis meses desde o início do projeto fizemos grandes avanços no sentido de romper barreiras sociais que impedem a vida diária dos deficientes em Nippes. Dito isso, é claro que muito ainda resta a ser feito. Em 18 de março deste ano, três mulheres surdo-mudas foram apedrejadas e mortas em Cabaret sob o pretexto de serem “lougawou” – seres humanos durante o dia e feiticeiras vampiras à noite. Essa tragédia e a magnitude da ignorância que reflete, é testemunho de que as comunidades haitianas ainda precisam ter melhor conhecimento a respeito dos deficientes: quem somos, o que enfrentamos, o respeito que merecemos e nossos direitos como cidadãos e como seres humanos.__ Jean Bernard R. Phanor, é coordenador do projeto do parceiro  IAF grantee partner  donatário da IAF Rede de Apoio a Organizações para Reforçar a Democracia  (REGARD) in Nippes, Haiti.