Povos indígenas

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Quechua weavers.

Apesar de sua imensa diversidade, os quase 445 milhões de descendentes indígenas dos primeiros habitantes do Hemisfério lutam em todas as partes contra a discriminação e a pobreza desesperante. A IAF começou a funcionar justamente quando as populações indígenas estavam começando a mobilizar-se em torno de sua identidade para enfrentar iniquidades. Nas últimas quatro décadas seu movimento fez surgir muitas abordagens inovadoras ao desenvolvimento, frequentemente com uma dimensão cultural, à qual a IAF respondeu. Em 2011 cerca de 32% dos investimentos da IAF apoiaram grupos indígenas para tirar pleno proveito das oportunidades econômicas, preservando ao mesmo tempo seu patrimônio.

Projetos recentes:

Antes da chegada dos espanhóis, os povos indígenas de El Salvador cultivavam intensamente o índigo, a que chamavam de xiquilite, extraindo seu colorante para decorar cerâmicas e têxteis. Em Cuisnahuat, Sonsonate, os agricultores estão trabalhando com a Asociación El Bálsamo (EL BÁLSAMO) na revitalização do cultivo do índigo para atender à demanda de corantes naturais. Os agricultores também produzem fertilizantes orgânicos e pesticidas para uso próprio e para venda, bem como desenvolvem suas aptidões de gestão e marketing como uma cooperativa.

O Centro de Investigación Diseño Artesanal y Comercialización Comunitaria (CIDAC) começou a trabalhar na década de 1980 com artesãos indígenas e mestiços para recuperar o artesanato em declínio de Santa Cruz, Bolívia, e torná-lo uma característica valiosa do patrimônio multicultural vibrante do país. Graças a duas doações da IAF, a organização treinou indígenas Guarani, Weenhawek e Ayoreo, bem como outros artesãos indígenas de 50 comunidades no aprimoramento de sua cerâmica, gravação em madeira e outros artesanatos. Ao desenvolverem seu talento, técnica e aptidões de marketing, esses artesãos das planícies tropicais revigoraram sua arte, aumentaram sua renda e melhoraram sua posição na comunidade. Em 2010 o trabalho desses artesãos foi exposto no Museu do Indígena Americano, parte da Smithonian Institution em Washington, D.C., EUA.

A Ecosta Yutu Cuii, Sociedad de Solidaridad Social (Ecosta) está dando ênfase ao desenvolvimento econômico e à conservação em 12 comunidades do município de San Pedro Tututepec, Oaxaca, México. Os objetivos principais deste projeto são: melhorar a produção de alimentos por meio de práticas ambientalmente responsáveis, expansão de iniciativas de ecoturismo, lançamento de pequenas empresas, proteção complementar à vida silvestre e aumento do fundo de empréstimos da Ecosta para as comunidades. Mais de 400 famílias mexicanas de descendentes de indígenas, africanos e mestiços são beneficiários desta iniciativa.

O Centro de Textiles Tradicionales del Cusco (CTTC) treina tecelões Quéchua dos altiplanos peruanos nos desenhos e técnicas tradicionais dos Andes. As vendas do CTTC, por meio de catálogos, website e loja do museu na praça principal de Cuzco, fornecem aos tecelões renda para compras básicas do domicílio e educação dos filhos no ensino de primeiro grau e além. Desde o recebimento de sua primeira doação da IAF em 2003, a afiliação do CTTC passou de 500 para 775 mulheres, homens e jovens. O CTTC está agora fazendo experiências com o cultivo de índigo para ser usado como corante. Deu grandes passos na preservação de desenhos e técnicas tradicionais, bem como maior apreço das culturas indígenas tanto no Peru como no exterior.

A Sa Qa Chol Nimla K’aleb’aal (SANK) está trabalhando em 100 comunidades dos municípios de Chisec e Raxuhá, em Alta Verapaz, Guatemala na confirmação da posse e propriedade da terra de tradição Q’eqchi’; conscientização a respeito da degradação ambiental e como as afeta; e treinamento de agricultores nas vantagens da diversificação de cultivos e nos riscos associados à monocultura e ao uso excessivo de pesticidas.