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Boas pontes fazem bons vizinhos As fundações da comunidade transnacional

Michael Layton*

By Inter-American Foundation on Comment

Para um atleta dedicado, uma corrida de 10 km — uma das mais curtas e comuns distâncias de corrida — pode ser apenas uma volta no parque. Entretanto, para a Fundação Comunitária El Paso, um grupo filantrópico na histórica cidade fronteiriça do Texas, a corrida Internacional EUA-México de 10 km que ele apoia é “mais do que uma simples corrida”.

A rota leva os corredores a cruzar a Ponte Santa Fé, que normalmente funciona como ponto de verificação na fronteira dos EUA com o México. No dia da corrida, ela é parte de uma celebração de duas cidades, El Paso no Texas e Ciudad Juarez no México, unidas como uma comunidade. O grupo diz que a corrida “trata da grandiosidade única da maior fronteira do mundo. Ela ilustra como uma comunidade, unida por uma linha de fronteira internacional, se funde em uma região”.

Neste sentido, temos um exemplo do trabalho que as fundações comunitárias, como instituições doadoras de recursos, fazem para melhorar as vidas das pessoas que vivem em comunidades transnacionais. Foi esta ideia que me trouxe ao Texas em abril — eu não queria correr 10 km, mas sim explorar como a IAF e seus parceiros, a Fundação Charles Stewart Mott e a CFLeads, podem apoiar fundações comunitárias nos Estados Unidos, na América Latina e no Caribe para colaborar com residentes que vivem em comunidades transnacionais.

Com este propósito, os três parceiros patrocinaram uma discussão na Conferência Anual do Conselho de Fundações (COF) em Dallas, denominada “Boas pontes fazem bons vizinhos: As fundações da comunidade transnacional”.

O título tinha a intenção de parodiar a famosa frase de Robert Frost, “boas cercas fazem bons vizinhos” e engajou os participantes em uma conversa com líderes de fundações, do Canadá à Colômbia, com dois objetivos. O primeiro foi pedir a eles que considerassem as muitas pontes que conectam suas comunidades em fronteiras nacionais: de onde vêm nossos imigrantes? Onde nossos aposentados estão se estabelecendo? Onde nossas empresas locais têm parceiros comerciais e fábricas? O segundo foi entender os fatores que podem encorajar ou inibir sua participação em comunidades transnacionais em suas cidades e estados.

Este tipo de colaboração é crítica para comunidades nos Estados Unidos e seus vizinhos latino-americanos, pois nossa região está cada vez mais integrada em termos demográficos, sociais e econômicos.

Michael1_004Michael Layton diz fundações para a comunidade ajudar a construir pontes conectando comunidades transnacionais.

Abraçando as conexões transnacionais

Este painel de discussão é parte de uma iniciativa mais ampla, chamada Building Broader Communities in the Americas (BBCA - Construindo Comunidades Mais Amplas na América). Os participantes da iniciativa reconhecem que a globalização engendrou profundas transformações econômicas e demográficas em comunidades por todo o hemisfério, e acreditam que as fundações comunitárias estão posicionadas de maneira única para assumir um papel de liderança para facilitar o modo como suas cidades e estados se adaptam a essas mudanças.

A sessão da conferência proporcionou a oportunidade para que os três participantes líderes da BBCA compartilhassem por quê e como suas fundações comunitárias estão abraçando essas interconexões a fim de promover a civilidade, de engajar novos interessados e de construir comunidades transnacionais mais vibrantes.

Da perspectiva de uma fundação dos EUA, Sandy Vargas, ex-presidente e CEO da Fundação Minneapolis e Ex-Bolsista do Instituto Humphrey da Universidade da Minnesota, falou sobre como os imigrantes mexicanos injetaram vitalidade econômica e um espírito empreendedor em sua cidade e em seu estado, o que confrontou o desafio de uma população em processo de envelhecimento e da perda de empregos.

Como representante de uma fundação comunitária mexicana, David Pérez Rulfo, diretor geral da Corporativa de Fundaciones em Guadalajara, México, trabalhou com a IAF na adaptação do modelo de fundação comunitária, que se originou em Cleveland em 1914, e foi aplicado com sucesso no México do século XXI. Ele compartilhou sua preocupação de tornar mais estratégica a participação filantrópica no México.

Eric Summerford Pearson, presidente da Fundação Comunitária de El Paso, destacou como uma regra da Secretaria da Receita Federal dos EUA permite a inclusão de Ciudad Juarez, no México, como parte de sua comunidade para fins de doação de recursos. Eles apoiaram a corrida de 10 km mencionada acima e outras atividades que promoveram um senso de comunidade através da fronteira.

Conexões através das fronteiras para resultados locais

Como um representante de uma fundação comunitária dos EUA colocou, “meu primeiro compromisso é o de melhorar as vidas das pessoas na minha comunidade”. Em seguida, ele fez essa pergunta fundamental à BBCA: “como este trabalho vai tornar minha comunidade melhor?”

Se a missão principal de uma fundação comunitária é encorajar a generosidade, então a promoção da filantropia de um residente local — que por acaso é um imigrante — para sua comunidade de origem pode ser um importante primeiro passo. Entendendo a importância de seu primeiro lar, uma fundação comunitária pode estabelecer não apenas uma relação com um doador individual, mas também a credibilidade com imigrantes ao demonstrar sensibilidade com seu senso de comunidade transnacional.

Outra fundação comunitária dos Estados Unidos discutiu os desafios que enfrentava na triagem de potenciais parceiros financiados no México em razão da falta de conhecimento especializado e de recursos locais. Uma fundação comunitária mexicana pode oferecer precisamente este tipo de conhecimento especializado local.

Foco nas pessoas, e não nos procedimentos

Em razão dos esforços da BBCA, os parceiros continuarão a criar oportunidades e diálogo entre os líderes das fundações comunitárias, organizações de diáspora e outras partes interessadas. Com essas conversas, temos a oportunidade de identificar conexões e, com essas conexões, podemos cultivar a colaboração em uma atmosfera de confiança e respeito mútuo.

Neste ano, a BBCA vai estabelecer algumas fundações comunitárias nos Estados Unidos e no México para a realização de exercícios de mapeamento. Isso ajudará a identificar conexões existentes entre a comunidade patrocinadora e sua contraparte do outro lado da fronteira, incluindo imigração, comércio, investimento e laços sociais. Quando essas conexões forem identificadas, a fundação comunitária encontrará uma posição para trabalhar por uma colaboração que fortaleça os laços da comunidade transnacional.

Além das corridas em El Paso, as fundações comunitárias continuam a provar que as pontes entre as duas comunidades separadas por uma fronteira estabelecem a base para a construção de bons vizinhos. Do lado do Texas e em Ciudad Juarez, uma instituição artística local não lucrativa, Amor por Juarez, está realizando alguns projetos de pintura de murais em escala massiva, que serão visíveis além da fronteira e ao logo das principais rodovias. Um deles é um arco-íris, a mais bela ponte de ocorrência natural.

Também apoiado pela Fundação Comunitária El Paso, o motivo do mural “vai além de uma camada de tinta fresca”, como um veículo de notícias locais descreveu. “Vocês estão criando algo em que as pessoas podem acreditar e de que podem se orgulhar e, partindo disso, esperamos ver um melhor senso de comunidade”. Eric Pearson, presidente da Fundação Comunitária El Paso, segundo El Paso Inc. 

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* Michael Layton é um consultor independente da IAF e atualmente trabalha como Especialista em Programa Sênior na Cidade do México. Ele é um dos mais destacados especialistas em filantropia e no setor não lucrativo no México, e atualmente trabalha como Bolsista de Pesquisa Sênior na Alternativas y Capacidades, A.C., onde é pesquisador líder da contribuição mexicana para o Relatório Global de Filantropia, um projeto da Harvard Kennedy School. Layton é autor e editor de vários livros e artigos sobre o setor não lucrativo no México e na América Latina.

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