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Melhor do que uma rede de alimentos: Conectando produtores

Kaitlin Stastny*

By Inter-American Foundation on Comment

KaitlinEu adoro comida. Adoro visualizar como os sabores e ingredientes se juntam vindos de todos os lugares e como cada chef contextualiza a culinária mundial e se apropria dela. Então, naturalmente, experimentei um pouco do gosto do paraíso quando viajei para Erechim, no Brasil, com meus colegas da Fundação Interamericana (IAF) para a exposição agrícola 10a Conferência EcoVida.

Fui envolvida por uma vibrante mistura de frutas e vegetais, muitos dos quais eu nunca tinha experimentado. Os parceiros financiados da IAF, de lugares distantes como a República Dominicana,reunidos com outras organizações a amostra de produtos agrícolas do Brasil, como feijão e milho, bem como mel orgânico, chá, chocolate e as famosas sementes de pinhão provenientes de uma conífera em perigo de extinção na região. No entanto, apesar da celebração de todas as coisas gastronômicas, a EcoVida é mais do que apenas comida. A cada dois anos, a conferência Rede de Agroecología EcoVida reúne pequenos fazendeiros e organizações comunitárias para um aprendizado mútuo sobre o cultivo sustentável.

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Pinhão sementes e frutas em exposição durante a conferência!


Este ano, a IAF apoiou 34 homens e 20 mulheres, representando 41 organizações de 14 países nas Américas Central e do Sul, em sua participação na conferência de 21 a 23 de abril. Além da exposição de alimentos, os participantes compartilharam mudas de espécies nativas e o ar se encheu com o som dos importantes sussurros sobre novas dicas e segredos para melhorar e diversificar processos agrícolas. Eles também exploraram assuntos como certificação participativa, conexões entre consumidores e produtores e o papel das mulheres e dos jovens na promoção de métodos agrícolas sustentáveis e ecológicos, ou agroecologia. 

Desde o início, pareceu que cada fazendeiro trouxe seu próprio conhecimento e foi responsivo na incorporação de outros conhecimentos e experiências a serem aplicados em seus países de origem.

O que me fascinou foi como temas comuns surgiram ao longo do evento e como a voz individual de cada um de nossos parceiros contribuiu para formar uma discussão compartilhada mais ampla, que foi demonstrada por Maria Cristina Meléndez Mendoza, membro de uma ONG apoiada por um parceiro financiado da IAF, o Corambiente da Colômbia. Ela explicou como os desafios da agroecologia são muito semelhantes em todos os países. Por exemplo, é necessário fazer mais para aumentar a conscientização sobre a igualdade de gênero. As mulheres que trabalham na agricultura geralmente não têm acesso ao direito de propriedade e, assim, não conseguem avançar no campo na medida de suas esperanças. Outros temas que transcendem as fronteiras nacionais incluem a comercialização, a participação dos jovens na agricultura e a solidariedade econômico-social.

O comentário da Meléndez ressoou em mim e validou a necessidade de um mecanismo para conectar ainda mais os produtores agroecológicos e promover intercâmbios significativos na América Latina. Pensando no problema do acesso das mulheres ao direito de propriedade, vemos que uma rede tem o poder de amplificar a conscientização e realizar conexões com outras experiências e ideias para a busca de soluções. Em minha função atual na IAF, estou ajudando a desenvolver a RedColaborar, um protótipo de mídia social que propõe fazer exatamente isso com nossos parceiros.

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Kaitlin Stastny discutindo a formação de redes e o compartilhamento de oportunidades com Sergio Mendoza Picado, técnico da Aldea Global da Nicarágua.

Pequenos produtores de cultivo sustentável são o público-alvo da rede de financiados da IAF e um dos principais grupos-pilotos com os quais minha equipe e eu estamos desenvolvendo a plataforma. Em vez de utilizar uma ferramenta genérica de mídia social existente, estamos trabalhando do zero para criar uma plataforma passo-a-passo, a fim de atender adequadamente as necessidades e interesses de nossos financiados.

Durante o encontro no Brasil, pedimos aos participantes para listar as forças e as necessidades de suas organizações. Com essas informações, conseguimos mapear áreas temáticas para as quais as organizações se voluntariaram para oferecer apoio, ou então para solicitar a obtenção de maior apoio. Agora, elas estão aptas a se conectar de modo que a orientação entre pares possa florescer por meio da RedColaborar. Organizações como a Fundación para el Desarrollo Socioeconómico y Restauración Ambiental de El Salvador já têm tutoriais disponíveis em vídeo que podem ser úteis para atender às necessidades de outras organizações em áreas como produção orgânica e conservação do solo e da água. 

O potencial para que as perspectivas individuais sejam absorvidas, processadas e assumam novos sabores não é algo que se limita aos intercâmbios presenciais como a EcoVida. Através da exploração por meio da colaboração, de entrevistas e testes de validação de usuários para a construção de uma rede agroecológica dinâmica, continuamos a diversificar nossos paladares e a experimentar novos sabores. Desse modo, podemos conseguir a nutrição da mente, assim como a do estômago.

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*Kaitlin Stastny, é Assistente da Equipe de Projetos na Fundação Interamericana.

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